Recebi esta linda poesia hoje e o que me deixou realmente feliz foi constatar que duas pessoas que admiro tanto e pelas quais tenho grande carinho, já que foram (e sempre serão) meus professores de astronomia (Regina e Paulo, sensacionais!), são também, para minha alegria e fortuna, amigos! E muito queridos! Gosto de pensar que somos parte da “tribo” de criaturas que “amam as estrelas”, e vamos nos “reconhecendo” pelos caminhos da vida. Acho que essa é a “magia” das estrelas lá em cima (e também das estrelas que brilham no interior das pessoas); mesmo estando tão longe no tempo e no espaço, continuam tocando tão fundo dentro da gente.
O homem que aluga estrelas
Eu tenho estrelas. Muitas.
Não, não sou dono de todas
as que limitam o teto da noite, não.
Sou rico, minha senhora!
Sou dono apenas das cintilantes luzes
que realizam desejos.
Não são minhas meras luzes
de clarear partículas de infinito
ou de orientar navegantes.
Pertencem-me as moradas da magia,
dormitórios de oráculos e duendes
e de fadas altivas e simples.
Minhas estrelas não existem
para formar constelações, apenas: elas
têm sintonia com corações sonhadores,
ansiosos e crentes, pois só mesmo
a estes é dado o dom de sonhar desejos
e fazê-los acontecer.
Por isso, Senhora bela e amada,
rainha de cetro e de sonhos,
aguarda a tua estrela: já se anuncia.
Demora que se mostre, porque é cedo
e cedo-te de gosto e prazer
a estrela que te cabe e é certa.
Ah! Ei-la! Ali, à margem da nuvem
que se abre no céu É tua, essa!
Habita-a e te apossa dela.
Em dias próximos terás por real
o que é ainda sonho. Falta-me a paga,
que recebo adiantado.
E assim que me vir premiado
em moeda de fala e poesia, liberarei a luz
que te trará venturas.
Depois, e quando de regozijo e feliz
puderes deixar minha estrela... É fácil.
Deixa-a no céu. Saberei recolhê-la.
Luiz de Aquino
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