"A não ser que se tenha o caos dentro de si, não se pode dar à luz uma estrela que dança." - Nietzsche

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Nós e as estrelas... nossas estrelas!

Recebi esta linda poesia hoje e o que me deixou realmente feliz foi constatar que duas pessoas que admiro tanto e pelas quais tenho grande carinho, já que foram (e sempre serão) meus professores de astronomia (Regina e Paulo, sensacionais!), são também, para minha alegria e fortuna, amigos! E muito queridos! Gosto de pensar que somos parte da “tribo” de criaturas que “amam as estrelas”, e vamos nos “reconhecendo” pelos caminhos da vida. Acho que essa é a “magia” das estrelas lá em cima (e também das estrelas que brilham no interior das pessoas); mesmo estando tão longe no tempo e no espaço, continuam tocando tão fundo dentro da gente.


O homem que aluga estrelas

Eu tenho estrelas. Muitas.

Não, não sou dono de todas

as que limitam o teto da noite, não.


Sou rico, minha senhora!

Sou dono apenas das cintilantes luzes

que realizam desejos.


Não são minhas meras luzes

de clarear partículas de infinito

ou de orientar navegantes.


Pertencem-me as moradas da magia,

dormitórios de oráculos e duendes

e de fadas altivas e simples.


Minhas estrelas não existem

para formar constelações, apenas: elas

têm sintonia com corações sonhadores,


ansiosos e crentes, pois só mesmo

a estes é dado o dom de sonhar desejos

e fazê-los acontecer.


Por isso, Senhora bela e amada,

rainha de cetro e de sonhos,

aguarda a tua estrela: já se anuncia.


Demora que se mostre, porque é cedo

e cedo-te de gosto e prazer

a estrela que te cabe e é certa.


Ah! Ei-la! Ali, à margem da nuvem

que se abre no céu É tua, essa!

Habita-a e te apossa dela.


Em dias próximos terás por real

o que é ainda sonho. Falta-me a paga,

que recebo adiantado.


E assim que me vir premiado

em moeda de fala e poesia, liberarei a luz

que te trará venturas.


Depois, e quando de regozijo e feliz

puderes deixar minha estrela... É fácil.

Deixa-a no céu. Saberei recolhê-la.


Luiz de Aquino

Nenhum comentário:

Postar um comentário