Uma casa de mínimo impacto ambiental, construída na forma de um baguá, no meio de um bosque denso e com um nome romântico: casa do abraço!
Foi conversando com dois amigos queridíssimos que comecei a visualizar esta casa planejada com todo carinho e idealismo por eles, sendo que o Carlos, literalmente põe a mão na massa, construindo em seu ritmo, com suas próprias mãos, muita coragem e paciência, desde os tijolos até alguns dos móveis, como o sofá imeeenso, onde nos aboletamos todos, no último feriado, para ver alguns musicais, numa tarde fria lá fora, mas aquecida pelo afeto que tenho pelos moradores, e pela acolhida amorosa que sinto toda vez que nos encontramos, onde quer que seja...
Desde a primeira conversa sobre a casa, até esta visita inaugural, passaram-se uns 3 ou 4 anos, e o baguá está na metade, talvez um pouco mais... mas já é o lar deles, desde o tempo que ainda não tinham luz nem água (mas já tinham os cães, as plantas, as borboletas, os pássaros, os macacos, porcos-espinhos (!)... toda vida que pulsa tão, tão perto, abraçando a casa); continuam sem telefone fixo, celular pega, mas apenas uma operadora... sem internet!!! Eles vivem bem... faz-me pensar como fiquei tão urbana e cheia de “frescuras”... o quanto valorizo aquele conforto básico de ter a possibilidade de delivery, banho quente e comunicabilidade a qualquer hora... tive consciência plena que não vivo mais sem internet! E passei a admirar esses meus amigos, ainda mais!
Assim que entrei na casa, senti o aroma maravilhoso de condimentos “quentes”... Cidinha estava preparando um almoço indiano, que comemos primeiro com os olhos, brincadeira de sabores, tamanhos e cores, depois nos divertimos montando nossos pratos, já que cada um fazia a seqüência e a combinação que queria, com os diversos ingredientes... e estava uma delícia, mesmo! Mal posso esperar o próximo convite de uma refeição feita no fogão a lenha, que já está quase pronto.
Deu para perceber que eu adoro comer? [;P] E comer com todos os sentidos, na companhia de pessoas afins, é uma festa, um privilégio de alegria! O Carlos é um artista completo e a Cidinha, uma estudiosa (profunda) da alma humana, então, nossas conversas são prazerosas, sempre aprendo alguma coisa! Sei quando encontrei pessoas da minha “tribo”, quando podemos ficar até em silêncio, e ainda assim, não sinto o mínimo desconforto... na verdade, me senti “em casa”.
Associo a estrutura e as formas da casa, com o Carlos, mas as cores, os detalhes, a música e a alma, são da Cidinha (tá bom, Carlos, um pouco das cores são suas...); importa que o conjunto é deles, uma parceria sólida que cresce rodeada pela “floresta mágica”, que tem sons que não identificamos, mas não assustam porque fazem parte... de tudo aquilo que ainda temos para conhecer... do mundo e da vida.
Outra associação muito louca que fiz com a casa do abraço, é com cheiros, porque sou bastante olfativa (tanto quanto sou visual e sensorial); por exemplo, aqui na minha casa, gosto sempre de ter maçãs na cozinha, porque elas são lindas de se ver, gostosas de morder e principalmente, porque perfumam o ambiente e cozinha sem aromas tentadores, não é cozinha. Bom, é óbvio que se sente forte o cheiro de mato na casa dos meus amigos, porque é só abrir uma das janelas e colocar a mão para fora, que já se toca em uma folha... aliás, tem árvores dentro da casa, eles estão construindo sem derrubar nada... não é incrível? Mas a associação com a alma da casa, não sei por que e aí, Cidinha, só você vai poder me entender... foi com o cheiro de chuva... que eu adoro! Assim como acho os diferentes sons de chuvas ou tempestades, uma trilha sonora perfeita para embalar meu sono ou meus devaneios, até a imagem cinzenta de temporais, eu gosto! Só não gosto de enchentes, e de tempo fechado, quando quero ver as estrelas, claro!
Enfim, poderia falar de tantas outras relações que me ocorrem com a casa, com afetos e memórias distantes, mas como a Cidinha me pediu um “depoimento” dessa primeira de muitas visitas que ainda pretendo fazer, acho que o principal é o seguinte: o sonho (que está se realizando) é deles... e já que uma de suas moradas, fica em meu coração (isso soa brega, mas é verdade! XD), o que pretendo fazer com esse projeto de uma linda e acolhedora casa de baixo impacto ambiental, é sonhar junto com eles! Compartilhando abraços e mais para frente, outros sonhos...
Engraçado é que provavelmente, vou ter que imprimir este post e levar para eles, já que não sei quando vão poder acessar a internet... fazer o quê, vou ter que voltar lá, logo, logo... ; )
Adorei saber um pouco mais do sonho dos nossos amigos,também participei de várias conversas sobre esta casa e fico realmente feliz de ver este sonho sendo realizado,espero estar lá no próximo almoço!
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