"A não ser que se tenha o caos dentro de si, não se pode dar à luz uma estrela que dança." - Nietzsche

domingo, 6 de dezembro de 2009

O que move o ser humano...


Ou qual é “A busca de cada um...”; título que tomo emprestado de um dos livros de um amigo, porque mais que um título inspirador, é uma pergunta que considero essencial, cada pessoa fazer a si mesmo, de tempos em tempos...

Considero um privilégio fazer parte de um pequeno grupo que tem acesso à leitura dos textos deste amigo citado acima, antes de irem para a gráfica; e acontece que estou há algum tempo para terminar a leitura de seu último livro e fazer meus comentários, mas estou postergando ao máximo porque não me sinto, neste momento, bem alinhada em meu eixo, e capaz de uma apreciação ponderada e justa... e publicamente estou me desculpando com ele.

Como já me disse uma amiga, tenho uma mente inquieta, que fica mais agitada nesta época em particular, quando o meu ritmo de trabalho fica enlouquecedor e as pessoas (clientes e colaboradores) ficam igualmente alvoroçadas e impacientes. Enquanto o meu próprio espaço criativo é apenas um sonho, estando eu, portanto, limitada no brincar com formas e cores (meu atelier deveria ser um projeto prioritário para o próximo ano!), tento acalmar e ordenar minha inquietação, fruto de meu caótico mundo interior, com palavras... aqui no blog.

E neste mesmo livro que ainda não terminei de ler, deste mesmo amigo paciente e compreensivo (;P), identifiquei um recurso que uso com freqüência, nas palavras de um dos personagens: “Se o seu emocional o maltrata, ocupe o seu intelecto que, quando menos perceber, seu coração terá se acalmado.” Quase sempre, tem funcionado!

Outra maneira de investigar a motivação ou busca de cada pessoa é perguntar-lhe:

O que te faz feliz? (É... é a frase daquela grande rede de supermercados, e eu acho isso incrível, pois é veiculada toda hora na mídia, de uma forma banal, mas traz intrínseco uma questão importante, se pararmos para refletir um pouco...) E mais incrível foi perceber que a maioria das pessoas para quem já fiz esta pergunta, hesita e não tem uma resposta clara e objetiva.

Também considero essencial e inerente a esses questionamentos formulados até agora, a busca de sentido. Que também é o título - Em busca de sentido – do livro do psiquiatra austríaco Viktor Frankl, onde ele narra sua dolorosa permanência em um campo de concentração. Foram várias as lições deste livro, mas o que me marcou mais e que é pertinente neste contexto, é a grandiosa capacidade humana de encontrar, mesmo nestas condições extremas de sofrimento, injustiças e insanidade, uma razão para viver... e mais que isso, ter forças para confortar e tentar motivar outras pessoas que desistiram de lutar pela sobrevivência.

De Nietzsche: “Quem tem por que viver, suporta quase todo como".

Na última sexta-feira, recebi a notícia de falecimento da mãe de uma de minhas melhores amigas... o que me aperta o coração é o fato de estar longe (fisicamente) dela e só poder estender-lhe minha voz, pelo telefone... e mesmo dizendo o quanto sinto por ela e o fato de tê-la sempre em meus pensamentos, eu sei o quanto é penoso, difícil e triste passar incólume por esta fase... também já tive minhas perdas. Nesta mesma sexta-feira, de noite, estive com dois amigos queridos, que alegraram minha alma e alimentaram meu espírito, com nossas conversas sempre de uma fluidez gostosa.

Ontem, sábado, estive com outra amiga querida, pintora expressiva e boleira de mão cheia (quem a conhece, sabe do que falo), que veio me visitar e trouxe um bolo, para adoçar nossas conversas. Neste mesmo sábado, de noite, recebi outra ligação sombria: havia falecido uma tia, de quem guardo saudosas recordações de infância, quando foi ela minha primeira “professora de culinária”, já que essa tia era a boleira oficial da família e sempre fazia em nossas festas, o bolo, rocambole e um manjar cor-de-rosa (de vinho). Outro detalhe: ela também pintava quadros.

Perdas e ganhos, alegrias e tristezas se alternam em nossas vidas... e se reagimos com cores intensas ou pálidas, além de nossa própria força interior, o que faz a grande diferença é uma benção que afortunadamente, tenho como constante em minha vida: família e amigos.

Falando de amigos (meninos, não se melindrem...), quero ressaltar a potência que têm um grupo de amigas (meninas, vocês sabem quem são...);quando nos reunimos, além das muitas calorias que ganhamos, produzimos muita oxitocina, serotonina, conversas profundas, rasas também, risos, colos, carinho e momentos significativos, sempre!

Outro dia fiquei encantada quando descobri o autor de uma frase muito conhecida:
“Nenhum homem é uma ilha”.

Lembro que já foi tema bacana de redação da FUVEST e que Ernest Hemingway escreveu um livro com o título: “Por quem os sinos dobram”, frase que faz parte do mesmo sermão de “Nenhum homem é uma ilha”.

O autor é John Donne (1572 – 1631), poeta metafísico inglês e teólogo proeminente, que escreveu a meditação XVII, enquanto velava à cabeceira de sua filha doente, que morreu aos 18 anos. Vou transcrever de suas reflexões acerca da dor e morte, a parte que contém as frases famosas:

“Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado; todo homem é um pedaço de continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de seus amigos ou o seu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram; eles dobram por vós”.

Neste universo-ilha que vivemos, os cientista buscam dar continuidade ao sonho de Einstein: encontrar uma teoria unificadora que explique a totalidade do micro e macro universo; os matemáticos e pacifistas se utilizam da teoria dos jogos, na busca de previsões que ajudem as resoluções de conflitos e guerras; nós, pessoas comuns, quando conseguimos superar a barreira da busca da sobrevivência, podemos procurar por valores e sentidos maiores, como a solidariedade e a consciência ecológica, e também os mais simples, como ser feliz e amar...

Termino tomando mais uma frase emprestada, de um de meus escritores favoritos, Hermann Hesse: “Se eu sei o que é o amor, é por sua causa.”

Essa frase também me remete a uma de minhas músicas prediletas: God only knows, dos Beach Boys, que gosto ainda mais, na versão visceral e pungente de David Bowie. Já vi um documentário do próprio Brian Wilson, contando que Paul McCartney tem esta canção como sua favorita. Dizem que Pet Sounds (álbum maravilhoso dos Beach Boys) influenciou bastante os Beatles, que depois vieram com Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Elton John e Joss Stone também têm versões muito bonitas de God only knows.



Post-Scriptum: antes que alguém comece a elucubrar se eu estou apaixonada, já respondo: SIM... sou uma eterna apaixonada pela busca de respostas para os mistérios do universo e pela beleza da Vida; dizem que a ciência explica apenas o “como” e o “por que”, temos que buscar em outras fontes... e eu estava pensando em meu pai, que perdi muito, muito mais cedo do que gostaria...







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